O que é educação?

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  1 O que é educação? Autor: Moisés Sena RESUMO A definição de educação parece ter se tornado um truísmo para muitas pessoas.  No entanto, a prática parece revelar que ainda há certa confusão a respeito do termo, haja vista o grande número de teorias e abordagens e o fracasso de muitas instituições na tarefa de educar. O presente artigo busca trazer uma discussão sobre o que é de fato educação e como essa definição se aplica à realidade prática. Palavras-chave: Educação, conhecimento, regra moral, interações sociais ABSTRACT The definition of education seems to have become a truism for many people. However, practice seems to reveal that there is still some confusion about the term, considering the large number of theories and approaches and the failure of many institutions in the task of educating. This article seeks to bring a discussion on what in fact education is and how that definition applies to practical reality. Keywords: Education, knowledge, moral rule, social interactions 1. INTRODUÇÃO  Na maioria das vezes, pela maioria das pessoas, o conhecimento é concebido como sinônimo de educação ou a própria educação. Quando as pessoas veem, por exemplo, alguém que tem uma vasta quantidade de conhecimento em algum campo da ciência, dizem, sem sombra alguma de dúvida, que a suposta pessoa é bem educada. Assim, aqueles que possuem um título de PhD podem ser considerados como estando entre os mais educados de todos. De acordo com esse pensamento, poderiamos afirmar que a educação está para o conhecimento, assim como o professor está para a escola. Se pedirmos a uma pessoa para fazer uma lista de dez palavras relacionadas com a educação, provavelmente poderíamos ver o conhecimento sendo expresso em palavras como alfabetização, livros, aulas, professores e assim por diante. Todavia, mesmo que a educação e o conhecimento fossem verdadeiramente sinônimos, de acordo com a Semântica, não há sinônimos perfeitos, ou seja, há sempre um contexto onde os sinônimos se diferenciam um do outro. Assim, gostaríamos, de maneira filosófica, ao invés de linguística, traçar um paralelo entre conhecimento e educação. Em sociedades capitalistas, o conhecimento também significa prosperidade. Durante muitos anos, desde o início da revolução industrial, o conhecimento foi associado, principalmente, à produção: avanços na indústria e tecnologia, coisas que  poderiam tornar uma nação mais próspera, mais competitiva no comércio. Isso ainda é  bastante visível nos países em desenvolvimento como China, Brasil e Índia. Consequentemente, a escola tornou-se e ainda tem se tornado, em muitos lugares, centros de preparação para o trabalho onde a educação é, na maioria das vezes,  2 resumida em conhecimentos sobre uma série de disciplinas. Talvez, por isso, o conhecimento tenha sido concebido na mente de muitas pessoas como sinônimo de educação. Sabemos que o conhecimento pode ser medido através de testes de múltipla escolha, de algumas redações, através de alguns cálculos, algumas atividades em grupo e etc., pelo menos, isso é o que aprendemos na escola. Somos ensinados que conhecimento, às vezes, pode ser determinado por uma nota no boletim escolar. Por exemplo, se o conhecimento de um aluno está OK   em todas as disciplinas de acordo com algumas avaliações, no final do ano, ele pode ir para a série seguinte; o aluno se sente bem e os pais sentem que ele está progredindo em educação. De um modo geral, muito do trabalho pedagógico da escola gira em torno da aquisição de conhecimentos e  pode ser traduzido em palavras como aulas, notas, testes, exercícios, avaliações e assim  por diante. Mas será que isso pode ser realmente entendido como uma forma adequada de ver a educação, ou analisar o progresso da educação? Aliás, o que é educação e como  podemos distingui-la do conhecimento? Sabemos, intuitivamente, que a melhor maneira de diferenciar duas coisas semelhantes é observando e destacando suas diferenças. Por exemplo, para você saber diferença entre um camelo e um dromedário basta observar as corcovas. Camelos tem duas corcovas, dromedários, apenas uma. Assim, é analisando as diferenças entre duas coisas semelhantes que podemos distingui-las. É com esse raciocínio que gostaríamos de destacar algumas diferenças entre conhecimento e educação. Isso é importante  porque tem havido um tremendo mal-entendido entre cohecimento e educação e nossa sociedade tem dado muito mais atenção ao conhecimento do que à educação. 2. CONHECIMENTO RELATIVO A UMA REGRA MORAL Em primeiro lugar, poderíamos afirmar que toda a educação é um tipo de conhecimento, mas nem todo tipo de conhecimento pode ser considerado educação. Por exemplo, a habilidade que um terrorista tem para armar uma bomba em um carro e detoná-la num mercado cheio de pessoas pode ser adquirida através de conhecimento.  Nesse caso, dizemos, então, que o suposto terrorista tem conhecimento sobre explosivos, mas não costumamos relacionar esse tipo de conhecimento à educação. Por outro lado, se alguém decide usar uma sacola de pano para carregar suas compras do supermercado, em vez de usar uma sacola plástica, para não poluir o meio ambiente, este ato pode ser considerado como proveniente de educação. Portanto, podemos concluir que ambas as ações podem ser desempenhadas por conhecimento, mas elas são diferentes em essência. Assim, inferimos que a educação está, de alguma forma, relacionada a princípios morais. Quase todas as ações que realizamos são baseadas em conhecimentos. Algumas ações são muito simples e exigem pouco conhecimento, como ligar a TV, outras, podem ser bastante complexas, como operar softwares. No entanto, "sabemos" que, além do nível de complexidade, a diferença entre lidar com computadores e ajudar um cego a atravessar a rua, também reside no campo da moral. Talvez alguém poderia argumentar que para ajudar um cego a atravessar a rua não é necessário conhecimento. No entanto,  podemos afirmar que sim, é necessário, especialmente se você mora em uma cidade grande. Por exemplo: passei toda minha infância e adolescência vivendo em um vilarejo e lembro-me muito bem da primeira vez que andei pelas ruas de uma cidade grande sozinho. Fiquei com medo. Havia muitos carros. Então, tive de aprender para que servia um semáforo e o que significavam suas diferentes cores, bem como para que servia uma faixa de pedestres e muitas outras coisas do tipo. Por causa da  3 habitualização, muito do que fazemos se torna mecânico, mas quase todas as ações que realizamos tiveram um princípio de aprendizagem. Em segundo lugar, poderíamos afirmar que a educação é um tipo de conhecimento de acordo ou conectado a uma regra moral. Sabemos que toda organização precisa de regras. Assim, poderíamos dizer que as regras estão para as organizações assim como as rodas estão para os carros. Elas são como estruturas invisíveis que ajudam a organização funcionar corretamente. Para dar uma ilustração sobre a importância das regras, imaginemos um jogo de futebol sem regra alguma. Seria certamente uma verdadeira bagunça; apenas um monte de homens correndo de um lado  para o outro atrás de uma bola. Portanto, em um jogo, as regras servem a, pelo menos, quatro propósitos básicos: para organizá-lo, para nomear indivíduos responsáveis (árbitro, treinador, etc.), para garantir direitos e para punir culpados. Na sociedade, não é diferente, as regras normalmente têm os mesmos propósitos. No entanto, diferentemente do jogo e devido ao tamanho e complexidade, na sociedade nem todas as regras são explícitas. As mais importantes regras explícitas em uma sociedade são chamadas de leis e destinam-se aos mesmos propósitos básicos de organização, nomeação de indivíduos responsáveis, garantia de direitos e punição dos culpados. Além de ajudar a sociedade a funcionar de forma organizada, as leis também têm princípios morais. Assim, roubo, assassinato, estupro e assalto, por exemplo, são considerados crimes, porque são contra os princípios morais de que você não pode tomar posse do que não lhe pertence; não  pode matar seu próximo; não pode violar a intimidade de uma mulher e assim por diante.  Na sociedade, há também regras ou leis consideradas imorais. Sobre elas, imaginemos o hipotético exemplo de um governante ou grupo de governantes que decidem criar leis que visam apenas beneficiar eles mesmos, melhorar os seus bem-estares ou para dar total poder sobre o povo, ou ainda, leis que se destinam apenas a  beneficiar um grupo elitista da sociedade em detrimento da classe mais pobre. A  propósito, embora tenhamos usado o termo "hipotético", esse exemplo pode ser visto claramente em regimes totalitários do terceiro mundo, onde os governantes vivem como milionários enquanto o resto da população passa fome.   Além de leis, há também um grande número de regras explícitas na sociedade, como as regras internas criadas por algumas organizações e instituições como universidades, escolas, igrejas, empresas e partidos políticos, chamadas de estatutos. Algumas dessas regras são concebidas para os quatro propósitos básicos mencionados anteriormente e que, por sua vez, podem ser morais e, possivelmente, imorais. Por outro lado, na sociedade, há também algumas regras explícitas que não são nem morais nem imorais, portanto, podem ser chamadas apenas de amorais. Um exemplo de tal tipo de regra é a gramática de uma língua, que é, na verdade, um conjunto de regras sobre como uma língua pode ser usada corretamente, e neste caso, a finalidade dessas regras é apenas estabelecer um padrão ou uma sequência lógica das palavras em um diálogo, texto e etc.. Outro exemplo de regras explícitas amorais são aquelas usadas em encontros oficiais, geralmente entre governos, chamadas de protocolo. No entanto,  4 dependendo da cultura e ponto de vista, essas regras podem ser consideradas imorais. Há ainda na sociedade um número enorme de regras que não são leis formalizadas e nem sequer explícitas, mas que, de forma alguma, são menos importantes do que aquelas já anteriormente mencionadas aqui. Elas são basicamente regras de comportamento e conduta e também podem, dependendo do ponto de vista e cultura, ser consideradas morais ou imorais. No entanto, gostaríamos de mencionar apenas exemplos de regras morais implícitas; o oposto pode ser encarado como imorais. Assim, dadas essas explicações, poderíamos imaginar alguns exemplos de regras morais implícitas: primeiro, você está em uma fila de banco, esperando para pagar uma conta, supõe-se que deva aguardar a sua vez; segundo, você está andando na rua, a seu lado, uma senhora tropeça e cai no chão, supõe-se que você deva ajudá-la a levantar-se; terceiro, você está dirigindo em uma estrada e de repente um grave acidente ocorre com o carro logo à frente do seu, supõe-se que você deva parar o seu carro e chamar uma ambulância. Estas regras baseiam-se principalmente em cooperação, respeito, civilidade, coisas que consideramos moralmente corretas. Regras sociais existem por causa das interações sociais. Sem relação ser humano com ser humano, sem necessidade de regras sociais 1 . Para dar uma ilustração sobre isso  poderíamos imaginar alguém vivendo sozinho em uma ilha deserta, como o literário Robinson Crusoé. A princípio as regras sociais eram desnecessárias para ele, visto que o que ele fazia ou deixava de fazer, não tinha qualquer efeito sobre uma terceira pessoa. Mas, a partir do momento que outro ser humano (o índio Sexta-feira) surge em cena, as regras sociais tornam-se necessárias para regular a interação entre eles. Poderíamos assim dizer, em termos gerais, que as regras sociais são também um tipo de conhecimento sobre como, quando e de que forma uma ação, comportamento ou atitude deve ser mais adequadamente realizada, e no caso de regras morais, também levamos em conta os impactos dessa ação, comportamento ou atitude sobre uma terceira  pessoa ou sobre toda uma comunidade. Assim, as regras sociais funcionam como um conhecimento subjacente responsável pela orientação do curso de outros conhecimentos quando usados em interações sociais. Por exemplo, o conhecimento de gramática que temos em nossas mentes não é a exata representação de todo nosso conhecimento linguístico, é apenas o conhecimento subjacente responsável pelo uso apropriado do enorme número de palavras de nosso léxico no curso de comunicação. Por fim, apenas para evitar futuros mal-entendidos e também para servir de fundamento para outras afirmações, podemos dizer que o conhecimento por si só ou o conhecimento como simples informação sobre algo não pode ser moral ou imoral. Ele é, na verdade, neutro ou amoral. Para explicar isso, levemos em consideração o seguinte fato: quando lemos um livro de história sobre a Segunda Guerra Mundial, obtemos conhecimento sobre algumas regras imorais que costumavam ser ensinadas ao longo desse período, como aquelas ensinadas pelo sangrento ditador Hitler. A simples informação gravada em nossa mente sobre essas regras não pode ser considerada imoral 1  Humanamente falando, eu diria isso, porque como cristão e crente em Deus sei que mesmo que eu estivesse em uma ilha deserta eu ainda continuaria interagindo moralmente com Deus e com minha consciência, exatamente como fez o personagem Robinson na obra literária citada.  5  por si só, ou, em outras palavras, o simples conhecimento sobre essas regras não pode ser imoral, porque é apenas informação. Na verdade, o que é imoral é o princípio que essas regras envolvem e o propósito pelo qual foram concebidas. Para ilustrar esse  pensamento imaginemos a guilhotina, um instrumento de pena capital utilizado, especialmente na França, durante a idade média. Cremos que ela seja considerada completamente imoral e inaceitável na França moderna. Mas o que pode transformá-la em um objeto imoral? Ela não é nada, senão alguns pedaços de madeira pregados e uma grande e pesada lâmina. Poderíamos realmente chamá-la de grande lâmina imoral? Certamente que não, porque o que faz com que uma guilhotina seja imoral é o propósito  pelo qual ela foi ou possa ser concebida, não a guilhotina propriamente dita. Visto que concebemos a educação como um tipo de conhecimento de acordo ou conectado a uma regra moral, e que as regras morais só existem por causa das interações sociais, poderíamos também afirmar, partindo desse pressuposto, que a educação está intrinsecamente ligada às práticas sociais. Diante disso, alguém poderia argumentar que nosso conhecimento linguístico é vital em nossas interações e práticas sociais, portanto,  pode ser perfeitamente concebido como educação. Responderíamos sim e não. Como afirmamos anteriormente, o conhecimento ou informação por si só é algo amoral ou neutro, o que fazemos com ele ou guiados por ele é que pode ser considerado moral ou imoral, assim, educação ou não. Por exemplo, um lexicógrafo ou um falante nativo de uma língua pode ter centenas de palavrões em seu vocabulário, alguns aprendidos por  pesquisas, outros, provavelmente a maioria deles, aprendidos por simples interação com outros falantes. Se observarmos com um pouco de bom senso, veremos que não há nada de errado com essas palavras por si sós. Elas são meras convenções linguísticas. Um  palavrão no Português do Brasil pode não ser um palavrão no Português de Portugal. Mas, por outro lado, se uma pessoa usa palavrões para atacar ou ferir pessoas, isso não  pode ser concebido como proveniente de educação. Só para reforçar o que queremos dizer com isso, tomemos como exemplo uma carta escrita por alguém que tenha grande conhecimento sobre como escrever corretamente. Apesar do perfeito arranjo dos substantivos, verbos, adjetivos, preposições e pontuações; apesar de sua impecável coesão e coerência, esta carta foi intendida para ser uma arma mortal; seu conteúdo é nada menos que palavrões, difamações e calúnias, por esse motivo ela, de forma alguma, pode ser concebida como um produto da educação. Partindo da premissa de que a educação está intrinsecamente ligada a práticas sociais, poderíamos ainda afirmar, por extensão, que a educação é também o exercício do conhecimento, qualquer tipo de conhecimento, sobre as bases de uma regra moral (conhecimento subjacente). Para ilustrar esse pensamento imaginemos o conhecimento como um trem e a regra moral como os trilhos. Assim como o trem é guiado pelo curso dos trilhos para chegar ao destino planejado e assim também cumprir com o propósito  para o qual foi projetado, o conhecimento, da mesma forma, torna- se educação quando é conduzido pelo curso de uma regra moral. Esta é a combinação necessária para que a educação seja concebida como tal. Contudo, isso não significa que o trem do conhecimento terá que estar sempre sobre os trilhos de uma regra moral para ser
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