Novos modos de dizer o mundo: narrativas jornalísticas multimodais

Description
Novos modos de dizer o mundo: narrativas jornalísticas multimodais

Please download to get full document.

View again

of 22
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Information
Category:

Slides

Publish on:

Views: 19 | Pages: 22

Extension: PDF | Download: 0

Share
Transcript
    SBPJor –  Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 14º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Palhoça –  Unisul –  Novembro de 2016 ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::   1 Novos modos de dizer o mundo: narrativas jornalísticas multimodais   Lorena Tárcia 1  Maurício Guilherme Silva Jr. 2   Resumo:  No presente artigo, buscamos analisar conceitos e práticas de multimodalidade  –   aproximando-os às definições de Narrativa Transmídia (NT)  –  , de maneira a investigar o uso e os efeitos, no jornalismo, de recursos e ferramentas como realidade virtual, imagens em 360° e imersão. Para tal, recorremos a estudo de Ana Elisa Ribeiro (2016), que, em pesquisa sobre os processos de leitura e de produção textual no ambiente universitário, propõe caminhos teóricos relevantes ao que aqui se almeja problematizar. A realidade virtual aplicada ao jornalismo, em sua versão digital, embora em expansão, encontra-se ainda em processo de amadurecimento. Entretanto, é possível perceber uma proposta narrativa em formação, com foco no usuário, além de crescente investimento das empresas na perspectiva da formação e da participação, por meio de ambientes virtuais interativos. Neste sentido, é possível vislumbrar a conexão entre a proposta educacional para as narrativas multimodais de Ribeiro e a perspectiva transmídia de Jenkins, embora novos estudos sejam necessários para confirmar tal vínculo teórico.   Palavras-chave : multimodalidade; narrativas; narrativa transmídia (NT); jornalismo; inovação. 1.   Introdução 1  Lorena Tárcia é doutora em Comunicação Social pela UFMG, é professora dos cursos de Jornalismo e Publicidade do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Integra o Programa de Comunicação Científica e Tecnológica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). 2  Maurício Guilherme Silva Jr é doutor em Estudos Literários pela UFMG, é professor dos cursos de Jornalismo e Design do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Integra o Programa de Comunicação Científica e Tecnológica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).      SBPJor –  Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 14º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Palhoça –  Unisul –  Novembro de 2016 ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::   2 Na contemporaneidade, tornaram-se ainda mais complexos os múltiplos modos de “dizer o mundo”. Como resultado da emergência e da disseminação das novas Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs), indivíduos e instituições passaram a lidar com sofisticados mecanismos de composição textual    –   expressão aqui compreendida como o ato de criar narrativas inteligíveis, por meio do uso de ferramentas as mais diversas, de maneira a construir um discurso sobre algo, e, ao mesmo tempo, a promover níveis vários de comunicação, interação e interatividade entre sujeitos interlocutores (leitores, ouvintes, espectadores, gamers  etc.). No que diz respeito, especificamente, à prática jornalística, o desenvolvimento de composições textuais  (entrevistas, reportagens, notícias, notas, vídeos,  podcasts , gráficos, infográficos, links  etc.)  –   em meios de divulgação os mais diversos  –   baseia-se, hoje, em novas possibilidades de elaboração de pauta, apuração, escrita e edição. Neste caso, compreenda- se a expressão “novas possibilidades” como resultantes d a concretização de uma série de processos de convergência (principalmente, de mídias, linguagens e procedimentos): cada vez mais, são exigidas, do jornalismo, propostas e iniciativas calcadas em inovadoras  plataformas de “convívio”, diálogo e coparticipação.  Em cenário tão desafiador, sabe-se da “rica” indefinição de horizontes, ferramentas e linguagens  –   instâncias e elementos que se integram de modo único no desenvolvimento de composições textuais jornalísticas . Do “virtual” ao “cibercultural”, do “convergente” ( crossmedia ) ao “transmidiático” ( transmedia storytelling ), muitos se revelam os recursos, dispositivos, plataformas e serviços à disposição dos profissionais da informação  –   com ênfase nos jornalistas. Do mesmo modo, múltiplos e relevantes são, hoje, os significados agregados à tríade de ações fundamentais ao jornalismo  –   qual seja: informar, opinar e interpretar. Importante ressaltar, em suma, que o entrelaçamento entre os diversos modos de desenvolvimento e de oferta de informação jornalística (em meios impressos, audiovisuais e/ou virtuais) resultou em outras tantas perspectivas de composição textual  –   ou, em outros termos, de construção narrativa . Daí a relevância, neste artigo, da investigação de duas importantes categorias de conformação e disseminação de informação, hoje corriqueiras entre usuários (jornalistas ou não) e instituições    SBPJor –  Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 14º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Palhoça –  Unisul –  Novembro de 2016 ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::   3 (jornalísticas ou não). Trata-se das  Narrativas Transmídia  (NTs) e das chamadas composições multimodais . Após elucubrações teóricas em torno de tais conceitos, pretende-se a análise do uso e dos efeitos, em experiências jornalísticas das organizações The Wall Street Journal, The Washington Post, USA Today Network, Fusion, RYOT, Vrse, BBC, Discovery, Frontline e Emblematic Group, de recursos e ferramentas como realidade virtual, imagens em 360° e imersão. 2. Narrativa Transmídia (NT): breves conceitos As tecnologias digitais conformaram novos modos de sociabilidade, em função de inovadoras modalidades e ferramentas de transmissão de informação. Em tal panorama, os termos “m ultimídia ” , “ intermídia ” , “ hipermídia ”  e “ transmídia ”  revelam-se configuradores de complexo universo semântico, capazes de delimitar e/ou definir narrativas cotidianas, contemporâneas e emergentes  –   assim como seus processos e aplicações. Nesta abordagem, a partir de Leal (2006), o vocábulo “ narrativa ”  refere-se à busca humana por “estabelecer um encadeamento e uma direção”, assim como por “ investir o sujeito de papéis ” , criar “personagens, indicar uma solução” . Trata-se, pois, da elaboração de narrativas capazes de entrelaçar discursos e “experiências vividas” , posto que estão aptas a “aparecer no cotidiano, contadas pelos seres humanos, ajudando -os a viver e agrupando-os, distinguindo-os, marcando seus lugares e possibilitando a criação de comunidades” (LEAL, 2006, p.  21). Em resumo, a história da construção de narrativas calca-se em quatro fatos diretamente relacionados a modificações na relação entre o homem e sua capacidade de “dizer o mundo”: a invenção da escrita; o surgimento da imprensa; as transformações advindas do desenvolvimento dos meios de comunicação eletrônicos; e, em um só “pacote”, a disseminação de mídias móveis, a multiplicação de telas e a consequente emergência de novas formas de composição textual (ou construção narrativa ). No que tange às práticas jornalísticas, a possibilidade de (re)pensar as novas tecnologias como matéria-prima da informação  –   e não somente como mídias    SBPJor –  Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 14º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Palhoça –  Unisul –  Novembro de 2016 ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::   4 transmissivas  –   envolve o investimento na estruturação de narrativas maleáveis e adaptáveis aos atuais ambientes tecnológicos e socialmente interligados. Neste ponto, faz-se vital destacar que o conceito de Narrativa Transmídia (NT) nasce com o pesquisador norte-americano Henry Jenkins 3 . Segundo o autor, as NTs obedecem a sete princípios. Ei-los: o   Potencial de compartilhamento (ou de “ espalhabibilidade ” ) versus  Profundidade:  compartilhamento refere-se ao processo de dispersão da informação, às formas como os usuários acessam múltiplos e diferentes recursos e obtêm distintos enfoques sobre um mesmo tema. Profundidade, por sua vez, alude à prática de aprofundar as buscas em torno dos conteúdos de maior interesse. As Narrativas Transmídia são impulsionadas  pela “natureza fundamental da cultura de rede ” 4 . O termo spreadability , aqui traduzido como “espalhabilidade”, diz respeito à capacidade dos usuários de participar, ativamente, da circulação de conteúdos multimídia, por meio redes sociais, de modo a expandir os valores econômico e cultural de tais informações. o   Continuidade versus  Multiplicidade:  ao recorrer à indústria do entretenimento para explicar o conceito de continuidade, Jenkis destaca que muitas franquias transmídia buscam construir (fortes) noções de “continuidade”, de modo a contribuir com a apreciação, por parte do público, da existência de “coerência” e “plausibilidade” na estrutura dos mundos ficcionais. Multiplicidade, por outro lado, refere-se ao investimento em abordagens múltiplas, para além de continuidades estabelecidas. o   Imersão versus  Extração:  em termos de imersão, pode-se pensar no potencial dos mundos virtuais, por meio dos quais os indivíduos podem se posicionar 3  JENKINS, Henry. The Revenge of the Origami Unicorn: Seven Principles of Transmedia Storytelling. Disponível em: http://henryjenkins.org/2009/12/the_revenge_of_the_srcami_uni.html. Acesso em julho de 2016.   4   MOLONEY, Kevin. Transmedia Journalism Principles. Disponível em: https://transmediajournalism.org/contexts/transmedia-journalism-principles. Acesso em julho de 2016.    SBPJor –  Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 14º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Palhoça –  Unisul –  Novembro de 2016 ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::   5 criticamente. Extração diz respeito à possibilidade de os usuários recorrerem a vivências e a objetos externos ao ambiente virtual. Os dois conceitos referem-se à relação percebida entre a ficção transmídia e a experiência diária dos usuários. Como exemplo, Jenkins cita uma exposição sobre cinema no Ghibli Studio Museum, no Japão. Apesar da ocidentalidade do material exibido, os organizadores recorreram a ações e mecanismos de interação baseados na própria cultura japonesa. o   Construção de universos:  trata-se de pensar na construção do ambiente em que se desenrola determinada história. A construção de universos  –   ficcionais (ou  jornalísticos)  –   diz respeito ao impulso “ enciclopédico ”  dos mecanismos contemporâneos de interativadade e ao desejo das audiências em mapear, de diversas maneiras, tudo aquilo que se possa saber sobre tais universos. Por vezes, isso é feito por meio de gráficos e mapas. o   Serialidade:  é importante trabalhar em termos de serialidade. No universo ficcional, as NTs tornam-se muito mais envolventes quando são capazes de conectar conhecimentos fragmentados, de modo a constituir um fluxo de sentidos abrangente e interessante. o   Subjetividade:  o princípio da subjetividade refere-se à possibilidade de contar histórias a partir de diferentes pontos de vista. Na ficção, pode-se concentrar em dimensões ainda inexploradas. Por meio de extensões transmídia, portanto, pode-se ampliar o “cronograma do material” já oferecido ao público . Além disso, o recurso da subjetividade, com extensão transmidiática, garante a ampliação das experiências e das perspectivas de personagens secundários. o   Performance:  no ambiente ficcional, o conceito de performance refere-se aos elementos capazes de atrair e engajar a audiência. Por meio do investimento em Narrativas Transmídia, pode-se, por exemplo, reunir uma comunidade de  pessoas que compartilham interesses comuns. “Cada vez mais, os produtores
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks