Esse Quem defende a criança queer

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  Esse artigo foi publicado srcinalmente em francês, no dia 14 de janeiro de 2013. Ele é uma resposta à marcha de oposi!o ao casamento homosse"ual #ue ocorreu no dia 13 de janeiro de 2013, na $rana, e #ue contou com $rigide %arjort, humorista e militante cat&lica, como parte do corpo organi'ador. ((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((( Quem defende a criança queer? Beatriz Preciado Tradução: Fernanda Nogueira Os católicos, os udeus e muçulmanos integralistas, os co!e"stas# desini$idos, os !sicanalistas edi!ianos, os socialistas naturalistas à la   %os!in, os esquerdistas &eteronormati'os e o re$an&o crescente dos modernos reacion(rios se untaram neste domingo !ara fazer do direito das crianças a ter !ai e mãe o argumento central que ustifica a limitação dos direitos dos &omosse)uais* Foi o dia deles de sair, um gigantesco +sair do arm(rio dos &eterócratas* -les defendem uma ideologia naturalista e religiosa que con&ecemos muito $em* . sua &egemonia &eterose)ual sem!re este'e $aseada no direito de o!rimir as minorias se)uais e de g/nero* -les t/m o &($ito de le'antar o facão* 0as o que 1 !ro$lem(tico 1 que forçam as crianças a carregar esse facão !atriarcal*. criança que Frigide Barot diz que !rotege não e)iste* Os defensores da inf2ncia e da fam"lia a!elam 3 fam"lia !ol"tica que eles mesmos constroem, e a uma criança que se considera de antemão &eterosse)ual e su$metida 3 norma de g/nero* 4ma criança que !ri'am de qualquer forma de resist/ncia, de qualquer !ossi$ilidade de usar seu cor!o li're e coleti'amente, usar seus órgãos e seus fluidos se)uais* -ssa inf2ncia que eles afirmam !roteger e)ige o terror, a o!ressão e a morte*Frigide Barot, a musa deles, a!ro'eita que 1 im!oss"'el !ara uma criança se re$elar !oliticamente contra o discurso dos adultos: a criança 1 sem!re um cor!o ao qual não se recon&ece o direito de go'ernar* Permitam5me in'entar, retros!ecti'amente, uma cena de enunciação, de dar um direito de r1!lica em nome da criança go'ernada que eu fui, de defender outra +forma de go'erno das crianças que não são como as outras*-m algum momento fui a criança que Frigide Barot se orgul&a de !roteger* - me re'olto &oe em nome das crianças que esses discursos falaciosos es!eram !reser'ar* Quem defende o direito das crianças diferentes? Os direitos do menino que adora se 'estir de rosa? 6a menina que son&a em se casar com a sua mel&or amiga? Os direitos da criança #ueer  , $ic&a, sa!atão, transe)ual ou transg/nero? Quem defende o direito da criança a mudar de g/nero, se for da 'ontade dela? Os direitos das crianças 3 li're autodeterminação de g/nero e de se)ualidade? Quem defende os direitos da criança a crescer num mundo sem 'iol/ncia se)ual ou de g/nero?*O discurso oni!resente de Frigide Barot e dos !rotetores dos +direitos da criança a ter um !ai e uma mãe me faz lem$rar a linguagem do catolicismo nacional da min&a inf2ncia* Nasci na  -s!an&a franquista, onde cresci com uma fam"lia &eterosse)ual católica de direita* 4ma fam"lia e)em!lar, !ara quem os co!e"stas !oderiam erigir uma est(tua como em$lema da 'irtude moral* Ti'e um !ai, e uma mãe, que cum!riram escru!ulosamente a sua função de garantir domesticamente a ordem &eterosse)ual*No discurso franc/s atual contra o matrim7nio e a Procriação com .com!an&amento 01dico 8P0.9  ;nseminação .rtificial !ara todos, recon&eço as id1ias e os argumentos do meu !ai* Na intimidade do lar, ele usa'a um silogismo que e'oca'a a natureza e a lei moral com a intenção de  ustificar a e)clusão, a 'iol/ncia e inclusi'e o assassinato dos &omosse)uais, tra'estis e transe)uais* <omeça'a com )um homem de*e ser um homem e uma mulher, uma mulher, como +eus #uis, continua*a com )o #ue é natural é a uni!o entre um homem e uma mulher, é por isso #ue os homosse"uais s!o estéreis, até a conclus!o, implac-*el, )se o meu filho é homosse"ual prefiro matar ele  * - esse fil&o, era eu*. criança a ser !rotegida da Frigide Barot 1 o resultado de um dis!ositi'o !edagógico terr"'el, o lugar onde se !roetam todos os fantasmas, a ustificati'a que !ermite que o adulto naturalize a norma* . $io!ol"tica## 1 'i'"!ara e !edófila* . re!rodução nacional de!ende disso* . criança 1 um artefato $io!ol"tico que garante a normalização do adulto* . !ol"cia de g/nero 'igia o $erço dos seres que estão !or nascer, !ara transform(5los em crianças &eterose)uais* . norma ronda os cor!os meigos* =e 'oc/ não 1 &eterosse)ual, 1 a morte o que te es!era* . !ol"cia de g/nero e)ige qualidades diferentes do menino e da menina* 6( forma aos cor!os com o o$eti'o de desen&ar órgãos se)uais com!lementares* Pre!ara a re!rodução da norma, da escola at1 o <ongresso, transformando isso numa questão comercial* . criança que a Frigide Barot desea !roteger 1 a criatura de uma m(quina des!ótica: um co!e"sta diminu"do que faz cam!an&a !ara a morte em nome da !roteção da 'ida*>em$ro do dia em que, na min&a escola de freiras, ;rmãs econstituidoras do =agrado <oração de %esus, a madre Pilar nos !ediu !ara desen&ar a nossa futura fam"lia* -u tin&a sete anos* 6esen&ei eu casada com a min&a mel&or amiga, 0arta, tr/s crianças e '(rios cac&orros e gatas* -u tin&a imaginado uma uto!ia se)ual, na qual e)istia casamento !ara todos, adoção, P0.@ .lguns dias de!ois a escola en'iou uma carta 3 min&a casa, aconsel&ando os meus !ais a me le'arem a um !siquiatra, !ara consertar o mais r(!ido !oss"'el o !ro$lema de identificação se)ual* 6e!ois dessa 'isita, 'ieram '(rias re!res(lias* O des!rezo e a reeição do meu !ai, a 'ergon&a e a cul!a da min&a mãe* Na escola foi es!al&ado o rumor de que eu era l1s$ica* 4ma manifestação de co!e"stas e frigide5$arotianos era organizada todos os dias na frente da min&a sala de aula* )ai da/ sapat!o, di'iam, *ocê *ai ser *iolada para aprender a beijar como +eus ensinou.   -u tin&a um !ai e uma mãe, mas eles foram inca!azes de me !roteger da de!ressão, da e)clusão, da 'iol/ncia*O que o meu !ai e min&a mãe !rotegiam não eram os meus direitos de criança, mas as normas se)uais e de g/nero que dolorosamente eles mesmos tin&am internalizado, atra'1s de um sistema educati'o e social que castiga'a todas as formas de dissid/ncia com a ameaça, a intimidação, o castigo, e a morte* -u tin&a um !ai e uma mãe, mas nen&um dos dois !7de !roteger o meu direito 3 li're autodeterminação de g/nero e de se)ualidade*-u fugi desse !ai e dessa mãe que Frigide Barot e)ige !ara mim, a min&a so$re'i'/ncia de!endia disso* .ssim, ainda que ti'esse um !ai e uma mãe, a ideologia da diferença se)ual e a &eterosse)ualidade normati'a rou$aram eles de mim* O meu !ai foi reduzido ao !a!el de re!resentante re!ressi'o da lei de g/nero* . min&a mãe foi !ri'ada de tudo o que !odia ir al1m da sua função de Atero, de re!rodutora da norma se)ual* . ideologia de Frigide Barot 8que est(  ligada com o franquismo católico nacional daquela 1!oca9 im!ediu 3quela criança que eu era ter um !ai e uma mãe que !oderiam me amar e cuidar de mim*>e'ou muito tem!o, conflitos e cicatrizes su!erar essa 'iol/ncia* Quando o go'erno socialista do a!atero !ro!7s, em CDDE, a lei do casamento &omosse)ual na -s!an&a, meus !ais, sem!re católicos !raticantes de direita, se manifestaram a fa'or dessa lei* -les 'otaram a fa'or do !artido socialista !ela !rimeira 'ez na 'ida deles* -les não se manifestaram só a fa'or da defesa dos meus direitos, mas tam$1m !ara rei'indicar o !ró!rio direito deles de serem !ai e mãe de uma criança não5&eterosse)ual* otaram !elo direito 3 !aternidade de todas as crianas  , inde!endentemente do seu g/nero, se)o ou orientação se)ual* . min&a mãe me contou que te'e que con'encer o meu !ai, mais reacion(rio* -la me disse )n&s também, n&s também temos o direito de ser os seus pais  *Os manifestantes do dia GH de aneiro em Paris não defenderam o direito das crianças* -les defendem o !oder de educar os fil&os dentro da norma se)ual e de g/nero, como se fossem su!ostamente &eterosse)uais* -les desfilam !ara conser'ar o direito de discriminar, castigar e corrigir qualquer forma de dissid/ncia ou des'io, mas tam$1m !ara lem$rar aos !ais dos fil&os não5&eterosse)uais que o seu de'er 1 ter 'ergon&a deles, reeit(5los e corregi5los* Nós defendemos o direito das crianças a não serem educadas e)clusi'amente como força de tra$al&o e de re!rodução* 6efendemos o direito das crianças e adolescentes a não serem considerados futuros !rodutores de es!erma e futuros Ateros* 6efendemos o direito das crianças e dos adolescentes a serem su$eti'idades !ol"ticas que não se reduzem 3 identidade de g/nero, se)o ou raça*# =eguidor de %ean5François <o!1, !ol"tico franc/s*## <onceito de 0ic&el Foucault que designa um !oder e)ercido so$re o cor!o e as !o!ulaçIes* Artigo publicado no dia 14/01/2013 em http://www.liberation.fr/societe/2013/01/14/qui-defend-l-enfant- queer!"3#4"  e http://artilleriainmanente.blogspot.m$/2013/01/beatri%-preciado-quien-defiende-al- nino.html 
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