Coluna - Afinal, o que é a Compra Consciente? : Uma Pequena Reflexão

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  Afinal, o que é a “Compra Consciente?”: Uma Pequena Reflexão ADMINISTRADOR  Paulo Junior Trindade dos Santos Gabriela Samsrla Moller  Inauguramos a coluna, denominada “Consumeirizando” para que você, leitor, que ocupa diversas vezes a posição de Consumidor, possa atentar-se aos direitos garantidos a  partir da vigência da Lei 8.078/90, mais conhecida como Código de Defesa do Consumidor. A proposta é que seja possível demonstrar assuntos consumeristas, por meio do atual 7 de Maio de 2018    0  entendimento de nossos Tribunais e por via da legislação, através de postagens com situações práticas e linguagem informal. Particularmente, acreditamos que a dogmática  jurídica deve apropriar-se dos elementos do complexo cenário social e interpretar o direito em vigor, com o fim de construir um sistema conceitual o mais coerente e completo possível, de maneira que a melhor forma de transformar a realidade social é demonstrar ao cidadão – nesse caso, na forma do Consumidor – as garantias que lhes são previstas e cujo desconhecimento gera a perpetuação de lesão aos seus direitos.  Inicia-se a Coluna por meio do que não é Filosofia nem Sociologia e nem sequer Direito, mas sim através de um convite à reflexão derradeira da sociedade de consumo, a qual permeia os nossos desejos e as nossas angústias, estas delineadas por necessidades intrínsecas humanas. O Estado Democrático de Direito tem como sua principal premissa a incessante busca de melhores condições de vida, podendo ser tal premissa também traduzida como a “busca  pela felicidade”, cujas manifestações ordenadas para o alcance desse fim ocorrem com especial respaldo na maneira pela qual o homem realiza o ato de consumir. A palavra “consumo” pode ser entendida como o conjunto de processos socioculturais nos quais se realiza a apropriação e o uso dos produtos. Essa caracterização é importante para começarmos a entender a motivação do que nos leva a consumir, que se manifesta para além do simples ato externo de nossos gostos e vontades, ou atitudes limitadamente individualistas, segundo supõe muitos juízos moralistas, uma vez que o consumo não é ato irreflexivo por si só. Destarte, o consumo nos propicia acesso a produtos e serviços necessários para a manutenção de nossa subsistência, assim como proporciona o progresso de áreas importantes ciência e educação, cujos reflexos têm capacidade de atingir as camadas mais necessitadas no âmbito social. Desta forma, muito mais do que entender o que é o ato de consumir, importa entender os motivos externos e psicológicos que nos induzem a realizar o consumo de alguns bens os quais não compõe a cadeia daqueles tidos como elementares,  pressupondo uma breve análise acerca da compra consciente. Entretanto, o consumidor pouco se questiona sobre a efetividade dos atuais caminhos que se percorre para a busca de melhores condições de vida, de maneira que também não há um questionamento acerca da verdadeira interpretação do termo “felicidade”, questões que,  por sua vez, ficaram limitadas ao campo das Ciências Humanas. Na filosofia, desde a Grécia Antiga, a partir do momento que Aristóteles conecta a  Eudaimonia  – uma espécie de bem estar e de felicidade – à medida com que o homem consegue medir suas ações por meio da  plenitude de suas virtudes, passa o homem a buscar esse ideal de viver para que consiga viver feliz; demonstrando, desta forma, que os objetivos, meios e valores pelos quais se visa ao alcance da felicidade têm conexão direta com a sociedade e com a época na qual o indivíduo está inserido. No contorno pós-moderno, a felicidade costuma a ser conectada com o bem-estar ocasionado por um viver sob as condições sociais mínimas, tidas como minimamente dignas e socialmente aceitas. A partir dessa ótica individual do ideal da Felicidade, ocasiona  conexão direta com o Consumo, pois através dele o cidadão adquire os confortos básicos que  –aparentemente – provêm certa segurança e conforto. Entretanto, ocorre que o Consumo, dependendo da maneira como é entendido pelo indivíduo, assume um papel muito mais ativo na vida do consumidor, mais do que as próprias relações sociais que o consumidor vive,  passando o produto de um simples meio  para viver bem (por exemplo, a compra de um tênis  para não andar descalço), transformando-se no  fim  da ação do consumidor (a compra pela compra; a compra como finalidade da ação). Pela rotina intensa na qual estamos inseridos, somos compelidos por meios externos a pensar que a sensação de bem-estar está correlacionada diretamente com o Consumo, de maneira que é mister que seja feita uma reflexão acerca dos contornos do Consumo na atualidade, para que o Consumidor possa tirar suas próprias conclusões acerca do significado do consumo em sua vida e quais os motivos que o compele a efetuar a compra. Antes de adentrar, insta relatar que o consumo na forma que observa-se hoje é fruto da racionalização do mercado, tendência consagrada a partir dos anos 60, que trouxe à indústria uma nova maneira de produzir e propagar a essência consumerista: a produção em massa, organizada caracterizada pela pluralidade de variedade do mesmo tipo de produto[1]. A evolução da distribuição mercantil – por meio da globalização[2] industrial e pelo avanço tecnológico dos meios de transporte –, bem como os meios e formas de propagação da  publicidade e oferta das mercadorias – por meio da evolução e democratização da telecomunicação – trouxeram novas formas de conquistar e distribuir os produtos, fazendo nascer uma nova cultura de Felicidade e perfeição diretamente relacionada ao produto e ao seu Consumo, assim como com a capacidade do cidadão de consumir. Observa-se que essa correlação do ideal de Felicidade foi aceito e abraçado pela comunidade, uma vez que essa nova cultura foi capaz de permear aos poucos o campo social do Consumidor, tornando-se  parte de sua rotina. Através da televisão de sua sala, o consumidor passa a ter acesso a essa ampla gama de propagandas e produtos, assim como através dos jornais, revistas e  propagandas publicitárias, o consumidor conhece sobre as “maravilhas” e os prazeres que a compra do produto traz para sua vida. Essa permeação nos nichos da vida social se expressa,  por exemplo, por meio da criação de padrões, sejam eles estéticos, sociais ou comportamentais, caracterizados por culminarem na homogeneização da sociedade, dando forma ao termo “Sociedade de Massa”, cujos padrões de ação e vontade de apropriação dos  produtos são o mesmo. Nessa senda, para que as mulheres cheguem ao ideal de beleza que a indústria vende, desenvolve-se uma cultura que realiza a produção de alimentos saudáveis, que as venda as cirurgias que as amoldarão, que as venda roupas que elas supostamente devam usar e que as vendam os produtos necessários para a manutenção dessa beleza  paradoxal. Desta análise, observa-se que o mercado de consumo se forma e se amolda através do que ele próprio vende, assim como se mantém pela venda do que determinou, formando um ciclo de consumo. Vende-se uma imagem da vida desejável e do modelo de um estilo de vida que se materializa como nas peças de um quebra-cabeça: a cultura do consumo vende  fracionadamente – ou seja, por meio de diversos produtos – a imagem da vida perfeita, cabendo ao consumidor juntar – comprar – essas peças e montar a bela imagem digna de ser emoldurada. Ocorre que não lhe avisaram que esse quadro, para ser montado, necessita da  junção de infinitas peças. Essa imagem é ao mesmo tempo hedonista e idealista; ela se constrói, por um lado, com os produtos industriais de consumo, cujo conjunto fornece o bem estar e, por outro lado, com a representação das aspirações privadas – o amor, o êxito pessoal e a felicidade. Segundo Freud, a realidade é a única inimiga e a fonte de todo sofrimento, com o qual é impossível viver, de maneira que, se quisermos ser de algum modo felizes, temos de romper todas as relações com a realidade, o que muito explica sobre a criação de um ideal social que represente a Felicidade. A srcinalidade da cultura de massa, dessa forma, é a criação de um consumo imaginário, que se manifesta pela idealização de sua  plenitude, a qual nunca se materializa: A vida perfeita, o padrão social, o luxo e a ascensão econômica movem o imaginário do consumidor, de maneira que sua vida se circunscreve ao querer mais e ao agir para poder consumir mais: a inserção social fica condicionada ao poder de consumo. O crescimento é acompanhado da introdução constante de novos produtos à medida que a elevação dos rendimentos alarga a possibilidades de consumo. Quanto mais o indivíduo auferir, maior a possibilidade dele consumir, ou seja “quanto mais se ganha, mais e melhor se deseja” valendo indistintamente para todos e de maneira individual, visando cada um a ótima racional de bem-estar. Desta maneira, entende-se porque o mercado procura ativar todos os nossos sentidos  para efetuar a venda: os grandes centros de compras não somente vendem mercadorias, mas se esforçam para estimular a necessidade de consumir, por meio de cores, sons e luzes. Impressionar a imaginação, excitar o desejo e apresentar a compra como um prazer, são os  principais instrumentos da promoção das técnicas modernas do marketing, que conectam o consumo a arte de viver e ao emblema da felicidade. Assim, ir aos shoppings, às lojas se converteu em uma forma de ocupar o tempo, um estilo de vida, através da criação do “consumo como distração” e “o consumo sedução”, dos quais somos fiéis herdeiros. De outro lado, não consumindo, o individuo encontra-se fora do âmbito social, o que ocasiona o surgimento de angústias profundas, que se manifestam através de um vazio existencial, culminando na existência de uma latente exclusão de um determinado segmento da sociedade, que não coexiste com o segmento que consome.Vivemos sob um paradoxo: Ao mesmo tempo que precisamos frear certos tipos de consumo, para que ecoem na nossa vida e na maneira pela qual encaramos o ato de consumir, a fim de desatrelá-lo do ideal fabricado de felicidade; de outro lado precisamos manter as necessidades básicas humanas, para que assim se otimize os mercados relacionados com a saúde e com determinadas áreas da tecnologia quando conectadas com nobres fins sociais. Para superar este paradoxo, necessária a relaboração de novos critérios acerca do Consumo e do patamar que os produtos ocupam na nossa vida. Mais uma vez, salienta-se que o ato de consumir não é por si só ato irreflexivo, o que passa a ser irreflexivo é a maneira pela qual o consumo é conectado diretamente com a felicidade, causando graves distorções ao  consumidor quando do ato de efetuar a compra. Dessa forma, a felicidade que tanto se busca deve ser encarada como uma forma de propensão natural de cada indivíduo alcança-la para si, uma vez que se trata de elemento subjetivo e de diferente contorno para cada indivíduo. Uma Felicidade homogênea de massa não somente faz com que se quebre a personalidade do indivíduo, assim como estratifica a sociedade individualmente ao ditar que tal fim somente se alcança com o Consumo de determinados bens. A crítica reside nesse sentido. – E você, consumidor, qual seu grau de consciência na compra? Entende que precisa ser revista? [1]  Diversas marcas e contornos para o sabão em pó, que, em si, é um produto simples. [2] A globalização é uma interação funcional de atividades econômicas e culturais, bens e serviçis gerados por um sistema com muitos centros, onde se importa mais a velocidade para correr o mundo do que as posições geográfica nas quais ele atua. Bibliografia BAUDRILLARD. Jean.  A sociedade de consumo. Editora Elfos. Rio de Janeiro:1929. LIPOVESTSKY, Gilles.  La felicidad paradójica: ensayo sobre La sociedad de hiperconsumo. Editora Anagrama. Barcelona:2007.MORIN. Edgar. Cultura de Massa no Século XX.  Editora Forense Universitária. São Paulo: 1962. FREUD. O Mal estar na civilização. 1930. DOUGLAS, Mari. ISHERWOOD, Baron.  El mundo de lós bienes : Hacia uma antropología del consumo. Editora: Los noventa. México: 1979. CAMPBELL. Colin. Cultura, Consumo.  Editora FGV. Rio de Janeiro:2006.
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