As jornadas pelas vias secundárias da globalização (The journeys through the backroads of Globalisation: Interview with Caroline Knowles)

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Nesta entrevista, Angelo Martins Jr. conversa com a professora Caroline Knowles, do Goldsmiths College/University of London, sobre seu recente livro Flip-Flop: a journey through globalisations 'backroads' (2014), que foi traduzido para o

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  328 Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 30, n. 1 “no chão” [ on the ground  ], no dia a dia. É assim que antropólogos tendem a traba-lhar com a globalização, e eu alinhei o meu trabalho com esse tipo de abordagem “no chão”, a qual envolve desenvolver uma visão próxima, de perto, de apenas uma  pequena vertente da globalização. Daí a minha escolha de uma pequena biografia de objeto – inspirada por Igor Kopytoff – para que eu pudesse analisar a globali-zação em uma escala menor. As teorias da globalização se baseiam fortemente em uma outra vertente do trabalho teórico sobre as mobilidades. De fato, essas duas formas de abstração estão interligadas, de modo que as mobilidades, assim como a globalização, emergem como uma visão geral, generalizada, do movimento/mecânica da globalização. Isso também é altamente abstrato (“superteorizado”, na minha opinião) e pouco demonstrado nas pesquisas empíricas. Mais uma vez, penso que os antropólogos são melhores em descompactar as microcenas da mobilidade, e eu gosto de trabalhar nesse campo. Eu gosto de descobrir como a mobilidade se decompõe em viagens individuais e formas de navegação contingenciais e incertas, que se alternam de um lado para o outro, à medida que as circunstâncias “no chão”, no dia a dia, exigem. Eu escrevi sobre isso, junto com minha amiga Vered Amit, no texto  Improvising and navigating mobilities: tacking everyday lie , em que defendemos uma abordagem mais aberta e fluida da mobilidade, a qual leva em conta as reali-dades cotidianas da vida das pessoas à medida que planejam e executam pequenas e grandes jornadas que compõem suas vidas. Na verdade, esse artigo foi inspirado nos refugiados que tentaram acessar a Europa por diferentes rotas e formas de viagem, durante os últimos três ou quatro verões, ajustando suas rotas e formas de viagem conforme as circunstâncias exigiam. Isso coloca as pessoas como agentes ativos no centro do quadro analítico, no lugar do processo abstrato de mobilidade e viagens globais. al perspectiva também desacopla a mobilidade da globalização e insiste que ambas são parte da vida cotidiana. O livro é resultado de seis anos de pesquisa etnográfica seguindo a biografia de um par de chinelos pelo mundo – partindo da extração do petróleo para a sua produção. Para desenvolver sua etnografia, você atravessou dierentes fonteiras nacionais, conversou com pessoas de dierentes classes, que alam dierentes línguas e às vezes em locais consi-derados perigosos para desenvolver pesquisas. Você poderia nos alar sobre a abordagem metodológica que usou para desenvolver sua pesquisa, a qual você chamou de “métodos itinerantes”, e também sobre os desafios que enfentou para desenvolver sua pesquisa?  A resposta honesta à sua pergunta é que eu tive que improvisar em todas as etapas deste projeto de pesquisa. Então, o que eu resumi no livro como “métodos itinerantes” é um jeito curto de me referir a uma caixa de ferramentas de abordagens para situações As jornadas pelas “vias secundárias” da globalização, pp. 325-331
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