ANÁLISE DE REDES DE COMPADRIO NA FREGUESIA DE VIAMÃO (SÉCULO XVIII) ANALYSIS OF COMPASS NETWORK IN THE PARISH OF VIAMÃO (18th CENTURY) ANÁLISIS DE REDES DE COMPADRIO EN LA FREGUESIA DE VIAMÃO (SIGLO XVIII

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RESUMO A ideia de rede social fomenta uma multiplicidade de abordagens nas diferentes áreas do conhecimento. De forma conjunto finito de atores e a(s) relação(ões) que se estabelecem (Wasserman & Faust, 1994, p. 20). A Análise de Redes Sociais

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  ANÁLISE DE REDES DE COMPADRIO NA FREGUESIA DE VIAMÃO (SÉCULO XVIII)  ANALYSIS OF COMPASS NETWORK IN THE PARISH OF VIAMÃO (18th CENTURY) ANÁLISIS DE REDES DE COMPADRIO EN LA FREGUESIA DE VIAMÃO (SIGLO XVIII) Israel da Silva AquinoMestrando em História UFRGSisraell.aquino@gmail.com RESUMO A ideia de rede social fomenta uma multiplicidade de abordagens nas diferentes áreas do conhecimento. De forma conjunto finito de atores e a(s) relação(ões) que se estabelecem (Wasserman & Faust, 1994, p. 20). A Análise de Redes Sociais (da sigla em inglês SNA - Social Network  Analysis ) consiste em umaanálise metódica de redes sociais representadas graficamente, tomadas enquanto representações das estruturas de relacionamento que pessoas ou organizações estabelecem entre si. Com o avanço e a disseminação do método de análise de redes entre os estudos históricos, cunha-se o termo  Historical Network Research (HNR). Entende-se que os métodos formais derivados de análise de redes podem ser proveitosamente aplicados a corpos selecionados de dados históricos, oferecendo novas possibilidades enquanto ferramenta de ensaio, interpretação e crítica. Neste trabalho, fruto de uma pesquisa de mestrado em História em andamento na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, pretende-se aplicar o método de análise de redes a um corpo selecionado de registros de batismo da freguesia de Viamão, em meados do século XVIII, com o intuito de examinar as redes de compadrio formadas e as implicações sociais e econômicas decorrentes para a comunidade local. O ensaio abordará os registros do primeiro livro de batismos da localidade, que abrange o período de 1747 a 1759. Palavras-chaves: Compadrio; Redes de apadrinhamento; Análise de Redes Socias; Historical Network Research; História Colonial. ABSTRACT The idea of social networking fosters a multiplicity of approaches in the different areas of knowledge. Broadly speaking, we can take a social network as a "finite set of actors and the relationship(s) established between them" (Wasserman & Faust, 1994, p.20). Social Network Analysis (SNA) consists of a methodical analysis of socialnetworks represented graphically, taken as representations of the structures of relationship that people or organizations establish between each other. With the advancement and dissemination of the method of network analysis among historical studies, the term Historical Network Research (HNR) was used. It is understood that formal methods derived from network analysis can be usefully applied to selected bodies of historical data, offering new possibilities as a tool for testing, interpretation and criticism. In this work, the result of a Master's Degree in History research in progress at the Federal University of Rio Grande do Sul, we intend to apply the method of network analysis to a selected body of  baptismal records of the parish of Viamão in the mid-eighteenth century, with the purpose of examining the networks of compass formed and the social and economic implications for the local community. The essay will cover the records of the first baptismal textbook of the locality, which covers the period from 1747 to 1759. Keywords: Compass; Compass Network; Social Network Analysis; Historical Network Research; Colonial History.  Introdução A ideia de rede social fomenta, entre os diferentes paradigmas e disciplinas pelos quais transita, uma multiplicidade de abordagens e compreensões, o que torna por vezes difícil sua conceituação. De forma bastante ampla, podemos tomar uma rede social enqua para caracterizar quantitativamente uma grande variedsocial, os nós são representações de pessoas e as ligações representam interações ou -6). Este trabalho se propõe a estudar a formação de redes de compadrio na freguesia de Viamão no período colonial, buscando investigar sua utilização como estratégia de atuação e reprodução social por algumas famílias da região. Para tanto, utilizamos registros de batismo, a fim de  promover o mapeamento de tais redes, além de se recorrer às ferramentas conceituais da metodologia da análise de redes para fins de interpretação e análise das mesmas. O recorte estabelecido abrange o período de 1747, data do primeiro registro de batismo da freguesia, até 1759, data de encerramento do Livro I de batismos da Capela de Nossa Senhora de Conceição de Viamão 79 , totalizando 559 registros analisados. A partir destas fontes, foram selecionados os registros que envolvem os integrantes de duas famílias da região, os Pinto Bandeira e os Ornellas de Menezes. A partir deste recorte, buscamos tecer algumas considerações iniciais a respeito da utilização da instituição do compadrio na região estudada. Análise de Redes Sociais e História De acordo com Bertrand (2012, p. 61), a noção de rede social remete a uma estrutura construída com base nas relações existentes entre indivíduos. Conforme aponta Fioravante (2013,  p. 222), o estudo desses vínculos busca evidenciar a capacidade de cada ator social manipular o conjunto de suas ligações com o intuito de satisfazer seus interesses. A fonte em questão foi publicada em 2009, através do projeto Resgate de Fontes Paroquiais, organizado pelos  professor Eduardo Neumann e Fábio Kuhn).  Partindo da teoria dos grafos e da sociometria, uma rede social é representada graficamente como um conjunto de pontos, representando os agente ou atores sociais, estes vinculados por uma série de relações, que são representadas pelas linhas do gráfico. Essas relações são influenciadas  pelo posicionamento do indivíduo na rede (central ou periférico), seu acesso a recursos, a intensidade dos relacionamentos, a densidade da rede, entre outros fatores (PONCE LEIVAS e AMADORI, 2008, p. 22).A primeira etapa da análise de redes é a criação do que chamamos matriz de adjacência, em que linhas e colunas representam os atores sociais envolvidos em determinada relação e contexto históricos (PANDOLFI & BUENO, 2014). A elaboração das matrizes e seus grafos 80 correspondentes é parte fundamental deste método. Cada matriz e seu grafo correspondem a uma espécie de instantâneo dos relacionamentos do grupo em análise. O grafo é formado pelas unidades de análise (pessoas, organizações) e pelas relações estabelecidas entre elas, que são representadas  por pontos (nódulos) e linhas, respectivamente.De acordo com o tipo de grafo utilizado, as formas e cores dos nódulos variam, o que também ocorre com o comprimento das linhas, de forma a dar umsignificado visual ao que foi expresso na matriz pelo pesquisador. Para a elaboração destes grafos existem diversos softwares, disponíveis, de forma gratuita, na Internet, ou no mercado. São exemplos o Cyram, o Pajek e o  NodeXL 81 , este último um complemento da empresa Microsoft disponibilizado gratuitamente para o software Office Excel, que foi adotado para a elaboração das matrizes e componentes visuais deste trabalho.Para além da elaboração das matrizes e a geração dos respectivos grafos, outra contribuição fundamental deste método é a produção dos coeficientes ou estatísticas de análise, denominadas métricas, que permitem evidenciar algumas das características dessas redes, colocando em evidência alguns tipos de relação que se estabelecem, ou destacando a atuação de um determinado Grafo é o termo utilizado na SNA para designar a representação gráfica das redes.O Cyram (http://www.cyram.com/) e o Pajek (http://mrvar.fdv.uni-lj.si/pajek/) são dois exemplos de softwares de análise de redes que dependem de licenciamento. Por outro lado, o complemento NodeXL (https://nodexl.codeplex.com/) e programas como o Gephi (https://gephi.org/) são exemplos de softwares disponibilizados de forma parcial ou totalmente gratuita, na internet.  agente no grupo a partir da posição por este assumida. Essas métricas cumprem papel fundamental  para a análise, tanto quanto o recurso gráfico proporcionado pelo software. Uma das preocupações que surgem com o uso da SNA é a aparente simplificação das relações ou, conforme aponta Thiago Gil (2005, p. 1), uma certa pretensão de objetivizar as relações humanas. Torna-se, portanto, necessário ressaltar que com esta técnica não se pretende dar conta da totalidade das relações, mas sim "apresentá-las de uma forma ordenada e visualmente inteligível para o investigador" (Idem). Cabe, portanto, ao pesquisador interessado em aplicar o método, o cuidado e o esforço de demonstrar efetivamente as consequências das relações identificadas, mais que o simples ato de enumerá-las. Compadrio e hierarquias sociais no Brasil setecentista Donald Ramos, ao analisar o sistema de compadrio na região de Vila Rica (MG), atenta  para dois aspectos. O primeiro nota o destaque dado ao tema na literatura hispano-americana, enquanto a literatura especializada em português sobre o tema à época era ainda escassa. A seguir, Ramos apresenta as duas correntes que discutem os aspectos espirituais e sociais envolvidos no  batismo e suas relações subjacentes, como o próprio compadrio (RAMOS, 2004, p. 51).A primeira destas correntes, fundada em uma interpretação antropológica estruturalista, dominado pela mulher, é o resultado de umprocesso impuro que seria substituído por um -52). Nesse contexto, o processo do batismo é compreendido pela sua função espiritual. O compadrio, nesta  perspectiva, é entendido como uma instituição de parentesco ritual, assimétrica, que envolve relações de dom e contra-dom 82 e estende às relações familiares dos envolvidos para o plano espiritual, metafísico. O termo 'economia do dom', cunhado pelo francês Marcel Mauss em 1923, é usado para definir ações sociais de um indivíduo que tem uma contrapartida indireta. A concepção da dádiva, conforme Mauss, está estruturada em uma estrutura tripartida, que abrange não apenas o ato da doação, mas também a recepção e a restituição pelo beneficiado (MAUSS,Marcel. Essai sur le don forme et raison de l'échange dans les sociétés archaïques. , v. 1, 1923. p. 30-186.).  A segunda perspectiva teórica que aborda estas relações adota uma interpretação construir laços sociais que funcionavam para integrar a comunidade em termos, ao mesmo tempo, ão mais comum e que tem sido mais frequentemente adotada nos trabalhos recentes a respeito do compadrio, seja para a população livre ou cativa; todavia, estamos mais inclinados a concordar com a leitura proposta por Ramos, ao compreender estas mais como visões complementares do que necessariamente opostas. Surge, assim, outro conceito importante para o esforço de compreensão a que nos  propomos, que se refere ao construto de estratégia, cuja origem encontra-se nas teorias antropológicas. Também este terá uma abordagem distinta, a partir do paradigma que se adota para sua leitura. Pierre Bourdieu, na década de 1970, propõe, a partir de uma leitura estruturalista, uma noção de estratégia como instrumento de ruptura com um ponto de vista objetivista e com a ação do agente, fundamentalmente ligada ao conceito de habitus , também central em sua obra. falar de estratégias de reprodução não é atribuir ao cálculo racional, ou mesmo à intenção estratégica, as práticas através das quais se afirma a tendência dos dominantes, dentro de si mesmos, de perseverar. É lembrar somente que o número de práticas fenomenalmente muito diferentes organizam-se objetivamente, sem ter sido explicitamente concebidas e  postas com relação a este fim [...]. Isto porque essas ações têm por princípio o habitus , que tende a reproduzir as condições de sua própria produção, gerando, nos domínios mais diferentes da prática, as estratégias objetivamente coerentes e as características sistemáticas de um modo de reprodução (BOURDIEU, 1989, p. 386-387). Por sua vez, Fredrik Barth, em um texto anterior e de viés funcionalista, entende a estratégia como uma conjunto de "ações planejadas, das decisões e das escolhas individuais", considerando, assim, preferível realizar a análise da organização social em vez da estrutura social tomando como central, todavia, o conjunto de uma infinidade de ações individuais como formadora desta organização (BARTH, 1959, p. 4). Portanto, como se vê, no centro do debate entre as duas correntes está a atuação subjetiva, a importância que cumpria ao indivíduo e sua atuação racional,  por um lado, frente a uma atuação diluída e até mesmo inconsciente, tomada assim como habitus ,  por outro.
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