A EDUCAÇÃO AMBIENTAL A PARTIR DE JOGOS: APRENDENDO DE FORMA PRAZEROSA E ESPONTÂNEA

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  1 II SEAT  –  Simpósio de Educação Ambiental e Transdisciplinaridade UFG / IESA / NUPEAT - Goiânia, maio de 2011. A EDUCAÇÃO AMBIENTAL A PARTIR DE JOGOS: APRENDENDO DE FORMA PRAZEROSA E ESPONTÂNEA BREDA, Thiara Vichiato 1  PICANÇO, Jeferson de Lima 2   Resumo  Ao longo da pesquisa ora relatada, produziram-se cinco propostas de jogos elaborados a partir do espaço vivido do público alvo, com materiais e dinâmicas atrativas, de fácil acesso e aplicação, que incluem: quebra-cabeças, jogo da memória, jogo de tabuleiro e duas diferentes versões de dominós. Na área de Educação Ambiental, os jogos contribuem para o processo de ensino-aprendizagem da criança  –  e deixam de ser objetos de entretenimento  –  caso sejam formulados objetivos específicos bastantes claros e diretos. Na educação formal e não formal, o jogo estimula o aprendizado porque pode despertar curiosidade e um esforço natural de vencer desafios. Assim, torna-se elemento gerador de conhecimento. Entretanto, em algumas áreas, como a Geografia, jogos ainda são pouco utilizados. Palavras-chave: Jogo; Educação Ambiental; Espaço vivido; Aprendizagem. Introdução  As questões ambientais se traduzem como uma preocupação da sociedade capitalista atual em relação às consequências já observadas em todo globo oriundas de ações antrópicas desordenadas. O questionamento do futuro do ambiente natural a partir da realidade do modelo de produção atual deu início às discussões sobre os problemas ambientais e sobre a necessidade da Educação Ambiental. Para Minini (2000, apud Dias 2004) a Educação Ambiental consiste num processo que visa propiciar às pessoas a compreensão crítica e global do ambiente, para assim, elucidar valores e desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição consciente e participativa a respeito das questões que envolvem a conservação e adequada utilização dos recursos naturais. Além disso, este autor ressalta que a melhoria da qualidade de vida, a eliminação da pobreza extrema e do consumismo desenfreado, se configura como resultados possíveis de ser alcançados a partir da transformação da atitude do ser humano. Na Conferência de Tbilisi (1977) a evolução do conceito de EA é indiscutível. São destacados o caráter holístico do conhecimento, a preocupação com a resolução de problemas, a participação mais ativa da população e a importância de se consolidar formalmente a EA nas escolas, com o apoio da interdisciplinaridade.   1  Mestranda da UNICAMP - Instituto de Geociências - thiara_breda@yahoo.com.br. http://blogs.educared.org/red-pronino/aulasdegeografia/   2   Dep. de Geociências Aplicadas ao Ensino, IG-UNICAMP.  2 II SEAT  –  Simpósio de Educação Ambiental e Transdisciplinaridade UFG / IESA / NUPEAT - Goiânia, maio de 2011. No Brasil, para Dias (2004), a década de 1990 é a década das maiores transformações dessa temática. A nova mentalidade do Ministério da Educação, os surgimentos de centros de educação ambiental e encontros regionais e nacionais foram importantes para aproximar as discussões mundiais a respeito dos fundamentos de uma comprometida Educação Ambiental. A ECO-92 reforça as idéias da Conferência de Tbilisi e propõe a capacitação de educadores e a mobilização social acerca da problemática ambiental. Por ocasião da Conferência Internacional Rio/92, cidadãos representando instituições de mais de 170 países assinaram tratados nos quais se reconhece o papel central da educação para a ―construção de um mundo socialmente justo e ecologicamente equilibrado‖, o que requer ―responsabilidade individual e coletiva em níveis loca l, nacional e planetário‖. E é isso o que se espera da Educação Ambiental no Brasil, assumida como obrigação nacional pela Constituição promulgada em 1988 (BRASIL, 2001, p.181). Na Educação a maior contribuição se deu com a reforma curricular no ensino fundamental prevista nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o qual estabelece a Educação Ambiental como um tema transversal que preza pela interdisciplinaridade. A Geografia no contexto dos PCNs abrange as preocupações fundamentais dos temas transversais, corpo de conhecimentos considerados como questões emergenciais para a conquista da cidadania. Esses temas possibilitam a formação integrada do aluno. Diante de tais constatações, a instituição escolar que dentre muitos outros objetivos, busca formar cidadãos conscientes de seu papel na sociedade, também é responsável pela prática de educação ambiental. No entanto, em muitos casos os professores se preocupam apenas em cumpri r o currículo, como uma ―camisa de forças‖, não contempla ndo a educação ambiental em sua prática. Dessa forma, a negação da EA intensifica um dos maiores problemas enfrentados pelo planeta e que necessita de uma busca emergencial de mudanças de atitudes e valores. A importância da educação ambiental  A Educação Ambiental é necessária para indivíduos que ainda estão em processo de formação de valores, , pois pode contribuir para uma mudança ou o direcionamento dos valores, e consequentemente, dinamizar a reprodução de valores integrativos. A prática da EA necessita de projetos complementares e atividades didáticas de campo para atingir seus objetivos. Somente com estas atividades práticas serão valorizados conceitos importantes para uma cidadania ambientalmente responsável.  3 II SEAT  –  Simpósio de Educação Ambiental e Transdisciplinaridade UFG / IESA / NUPEAT - Goiânia, maio de 2011. Carvalho (2004 apud Alves et all, 2006), defende ― um processo educativo na realidade ‖ (p. 28), ou seja, o processo educativo só se torna possível se ―imerso‖ na realidade, o que vale dizer, para a efetividade da educação ambiental os alunos devem necessariamente conhecer a dimensão a qual a questão ambiental está inserida. A EA deve agir como um ―catalisador‖ na promoção de ações ambientais conscientes materializadas no espaço como manifestações equilibradas de uso dos recursos naturais. De modo geral, entende-se que esta manifestação só será possível quando houver a conscientização de que fazemos parte de um sistema que envolve a natureza e a sociedade, o Meio Ambiente.  Ao aproximar o aluno da sua realidade socioambiental, podemos trabalhar, desenvolver e construir conceitos geográficos e ambientais, os quais, atrelados à percepção, pode ressaltar o papel de cada individuo nos seus diferentes meio ambientes, conforme aponta os autores dos PCNs:  A preocupação em relacionar a educação com a vida do aluno —  seu meio, sua comunidade —  não é novidade. Ela vem crescendo especialmente desde a década de 60 no Brasil. Exemplo disso são atividades como os ―estudos do meio‖. Porém, a pa rtir da década de 70, com o crescimento dos movimentos ambientalistas, passou-se a adotar explicitamente a expressão ―Educação Ambiental‖ para qualificar iniciativas de universidades, escolas, instituições governamentais e não governamentais por meio das quais se busca conscientizar setores da sociedade para as questões ambientais. (BRASIL, 2001 p.189)  A Educação Ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações, ajudar a desenvolver uma consciência sobre todas as formas de vida do planeta, respeitando assim seus ciclos vitais e impor limites à exploração dessas formas de vida pelos seres humanos. Para atingir esses objetivos, se faz necessário, projetos e atividades dentro do ensino voltados à Educação Ambiental. Em conformidade com Santos, convém destacar que: [...] a educação ambiental como um importante instrumento para a compreensão e conscientização sobre questões/problemas da realidade sócio ambiental, cujo desenvolvimento, sobretudo nas escolas, se constitui em uma das mais sérias exigências educacionais contemporâneas para o exercício/construção da cidadania, e consequente melhoria da qualidade de vida (SANTOS, 2001, s/ p.). É de fundamental importância os trabalhos que privilegiem a Educação Ambiental e nos níveis elementares do ensino, visto que nesta fase as crianças ainda estão no processo de formação de valores, sendo propício à apropriação de novas informações. Tudo indica  4 II SEAT  –  Simpósio de Educação Ambiental e Transdisciplinaridade UFG / IESA / NUPEAT - Goiânia, maio de 2011. que a construção de conhecimentos em torno do meio ambiente levaria à mudança, ao direcionamento e construção de valores integrativos em uma nova sociedade. ― Se a criança adquire uma compreensão (conhecimento) ambiental amplo, ela desenvolve uma consciência social (atitude) que afetará seu comportamento, (ações) em relação ao meio ambiente total  ‖ (SOUTHERN, 1972, p. 29 apud FELTRAM & FILHO, 2003, p. 124). O ensino de Geografia e a construção de valores que contemplam o viés da educação ambiental são mais significativos quando os alunos estudam os espaços próximos de suas vivências, pois, os conceitos se tornam mais concretos e culminam em maior interesse.  A principal função do trabalho com o tema Meio Ambiente é contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos a decidir e atuar na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global. Para isso é necessário que, mais do que informações e conceitos, a escola se proponha a trabalhar com atitudes, com formação de valores, com o ensino e aprendizagem de procedimentos. (BRASIL, 2001, p. 187) Para atingir os pressupostos da educação ambiental de forma coerente, completa e coesa no ensino, é necessário que suas abordagens sejam feitas de maneira conjunta e não se construam de forma fragmentada. Assim, o recomendável é que se deva trabalhar um mesmo tema de maneira interdisciplinar, abordando seus diversos aspectos (históricos, geográficos, biológicos). Recomenda-se (NICOLESCO, 1999) trabalhar com a transdisciplinaridade, que se difere da multidisciplinaridade (conteúdos de varias disciplinas, porem sem conexões) e da interdisciplinaridade (que estabelece relações com as disciplinas).  A transdisciplinaridade seria mais difícil de atingir, pois vai além da interação das disciplinas,  A transdisciplinaridade, como o prefixo ―trans‖ indica, diz respeito àquilo que  está ao mesmo tempo entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de qualquer disciplina. Seu objetivo é a compreensão do mundo presente, para o qual um dos imperativos é a unidade do conhecimento [...] transdisciplinaridade se interessa pela dinâmica gerada pela ação de vários níveis de Realidade ao mesmo tempo. (NICOLESCU, 1999, p. 53) O uso de jogos a partir do espaço vivido e suas contribuições para a Educação Ambiental O jogo esta presente na natureza humana, seja ela na infância ou na fase adulta. Seu uso vem de tempos remotos nas mais variadas culturas, o que faz com que seu significado e conceito sejam diversificados. Outro fator que contribui para a dificuldade de  5 II SEAT  –  Simpósio de Educação Ambiental e Transdisciplinaridade UFG / IESA / NUPEAT - Goiânia, maio de 2011. conceituação é a diversidade dos fenômenos que recebem a denominação de jogo. Segundo o dicionário Michaelis (1998), jogo recebe o significado de: "1) Brincadeira, divertimento, folguedo; 2) Passatempo, em que de ordinário se arrisca dinheiro, ou outra coisa; 3) Divertimento ou exercício de crianças, em que elas fazem prova da sua habilidade, destreza ou astúcia [...],‖ . No entanto acreditamos que essa definição é muito simplista para um termo tão complexo como ―jogo‖. Dentre as varias definições possíveis, seguiremos aqui a definição de jogo em Huizinga (2008). Segundo Huizinga, em s ua obra ―Homo Ludens: o  jogo como elemento da cultura‖ , apesar de afirmar que não é possível uma definição exata de jogo em termos lógicos, biológicos ou estéticos (2008, p.10) conceitua o jogo como: [...] uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente concebidas, mas absolutamente obrigatórias, dotados de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da ―vida quotidiana ‖. (HUIZINGA, 2008, p.33). O autor, além de definir os jogos, descreve algumas de suas características fundamentais: - ser livre , ou seja, é uma atividade voluntária do homem, o que desperta o prazer no jogador; -   não é vida “corrente” nem vida “real”, se distanciado do cotidiano, para uma esfera temporária com orientação própria, acompanhados de sentimentos de tensão e de alegria. - isolamento e imitação , pois se distingue da vida ―comum‖ pelo lugar e pela duração, tendo seu próprio tempo e espaço fictício; - cria a ordem e é a ordem, com a existência de regras (implícitas ou explicitas) fundamentais para o desenvolvimento do jogo, mas livremente consentidas, em que a menor desobediência ―estraga o jogo‖ . Dessa forma, para Huizinga, o jogo é uma [...] atividade que se processa dentro de certos limites temporais e espaciais, segundo uma ordem e um dado número de regras livremente aceitas, e fora da esfera da necessidade ou da utilidade material. O ambiente em que ele se desenrola é de arrebatamento e entusiasmo, e torna-se sagrado ou festivo de acordo com as circunstâncias. A ação de exaltação e tensão, e seguida por um estado de alegria e de distensão. (HUIZINGA, 2008, p.147)
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