3 EXPERIÊNCIA DESENVOLVIMENTISTA NO SÉCULO XX EM PAÍSES

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   75 3 EXPERIÊNCIA DESENVOLVIMENTISTA NO SÉCULO XX EM PAÍSES SELECIONADOS Este capítulo tem por objetivo analisar os resultados da experiência desenvolvimentista em países selecionados durante a segunda metade do Século XX a fim de identificar os fatores impulsionadores de seu desenvolvimento econômico. Para efeito da análise de suas experiências desenvolvimentistas, foram selecionados o Japão, a Itália e a Coréia do Sul, países que experimentaram extraordinário desenvolvimento econômico da década de 1930 até a de 1980, quando os dois primeiros saíram da condição de países semiperiféricos para galgarem a de integrantes do núcleo orgânico da economia capitalista mundial e o último deixou a condição de país periférico para alcançar a de país semiperiférico da economia capitalista mundial. Além desses países, foram analisadas, também, as experiências desenvolvimentistas de Taiwan e da República Popular da China, que vêm apresentando crescimento extraordinário no período recente. Foram analisados, também, as experiências de desenvolvimento endógeno implementadas no Brasil e no exterior e o conceito de desenvolvimento sustentável, além de serem apresentadas conclusões sobre o processo de desenvolvimento econômico e social. O Mapa 11 mostra a localização do Pacífico Asiático onde ocorreu o maior crescimento econômico mundial na segunda metade do Século XX. MAPA 11 PACÍFICO ASIÁTICO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO  Coréia do NorteCoréia do SulTaiwan (Formosa)China ingapuraHong-Kong M a l á s i a Japão Índia 0  o  0  o    Base: Atlas, 2002. Adaptação do autor   76 3.1 EXPERIÊNCIA DESENVOLVIMENTISTA NO JAPÃO 10   3.1.1 O processo de desenvolvimento do Japão O processo de crescimento econômico, transformação tecnológica e desenvolvimento social alcançado pelo Japão na última metade do século, ressurgindo das cinzas de suas ambições imperialistas destruídas, é um fenômeno extraordinário. Essas realizações, sem dúvida, exigiram tremendo esforço de toda a sociedade japonesa, com seus trabalhadores dedicando-se a muito mais horas de trabalho que os colegas norte-americanos e europeus, consumindo muito menos e economizando/investindo muito mais por um longo período de tempo. O Japão foi ajudado pelas reformas impostas pela ocupação norte-americana, dentre as quais, as mais importantes, a reforma agrária, a legislação trabalhista, a proibição de monopólios econômicos que levou ao desmantelamento dos  zaibatsu  e a nova legislação eleitoral que conferiu às mulheres o direito ao voto. O impressionante processo de desenvolvimento do Japão tem como base um projeto de afirmação de identidade nacional em continuidade à Revolução  Meiji de 1868 que foi realizada para capacitar o país a enfrentar o desafio ocidental. Após o fracasso da jornada democrática para a modernização durante o período Taisho  (1912–26) como do projeto militarista ultranacionalista do período 1935–45, o nacionalismo  japonês ressurgiu sob a forma de projeto de desenvolvimento econômico promovido pelo Estado e voltado para a concorrência pacífica na economia internacional. O Japão promoveu uma mobilização coletiva: primeiro sobreviver, depois competir e, por fim, afirmar-se via produção industrial, gestão econômica e inovação tecnológica. O ponto inicial de qualquer análise do desenvolvimento japonês deve ser a busca da independência e do poder nacional, por intermédio de meios (econômicos) pacíficos, segundo a Constituição de 1947 que renunciou à guerra e às forças armadas de forma definitiva. O cerne do processo de desenvolvimento japonês desde a década de 50 é o projeto nacionalista do Estado desenvolvimentista, implementado pela burocracia estatal em nome da nação. Os burocratas do Estado têm orientado e coordenado as empresas japonesas organizadas em redes ( keiretsu e kygio shudan ), ajudando-as com políticas de comércio, tecnologia e crédito para competirem com sucesso na economia mundial. 10  Análise baseada nas obras de CASTELLS, 1999; PORTER, 1993; DOBBS–HIGGINSON, 1998; SATOSHI, 1985; JOMO, 2001.   77 O superávit comercial reciclado como superávit financeiro, aliado à alta taxa de poupança interna, permitiu uma expansão não-inflacionária, possibilitando, ao mesmo tempo, altas taxas de investimento e aumento rápido dos salários reais. Índices elevados de investimento em P&D e enfoque em indústria avançada capacitaram o Japão a assumir uma posição de liderança nos setores de tecnologia da informação em uma época em que seus produtos e processos se tornaram essenciais na economia global. Esse desempenho econômico contou com a estabilidade social e a alta produtividade da força de trabalho por meio da cooperação entre a gerência e os trabalhadores, possibilitada pela estabilidade no emprego e pela promoção da força de trabalho permanente com base no tempo de serviço. A estabilidade social baseava-se em três fatores principais: a) comprometimento do povo para reconstruir a nação; b) acesso ao consumo e melhoria substancial dos padrões de vida; c) família patriarcal forte e estável que reproduzia os valores tradicionais, induzia à ética do trabalho e proporcionava segurança pessoal a seus membros, à custa da manutenção da submissão feminina. Os mecanismos indutores do crescimento econômico, elaborados e implementados por essa máquina estatal nacionalista, têm sido expostos em uma série de monografias sobre o “milagre japonês”: incansável direcionamento para exportações com base em alta competitividade, possibilitada por aumentos substanciais da produtividade, pela qualidade do trabalho e pelo protecionismo dos mercados internos; abundância de capital resultante do alto índice de poupança e crédito de curto prazo para os bancos das keiretsu  pelo Banco do Japão, a baixas taxas de juros; esforço sustentado para o desenvolvimento tecnológico com programas para aquisição de tecnologia e inovação tecnológica patrocinados pelo governo; ênfase na indústria; política industrial, mudando dos setores de baixa tecnologia para os de tecnologia média e, depois, para os de alta tecnologia, acompanhando a evolução da tecnologia, da demanda mundial e da capacidade produtiva das indústrias japonesas. As indústrias japonesas conseguiram passar, com velocidade notável, de produtos e processos de baixo valor agregado para produtos e processos de alto valor agregado, superando primeiro a Europa e depois os Estados Unidos em muitos setores importantes, de automóveis a semicondutores. Essa situação persistiu até que a contra-ofensiva tecnológica/ gerencial das empresas norte-americanas, na década de 90, colocou-as à frente da concorrência japonesa na esfera mais alta dos microcomputadores, softwares , microeletrônica, telecomunicações e biotecnologia. No entanto, as empresas japonesas continuam predominando na fabricação de   78 produtos eletrônicos para consumo, chips  de memória e equipamentos de semicondutores e ainda são fortes concorrentes em toda a gama de setores da indústria avançada, com a importante exceção de produtos dos ramos farmacêutico e químico. A eficácia da orientação administrativa teve a ajuda decisiva da estrutura em rede, comum às empresas japonesas. O grande crescimento do Japão baseou-se em um sistema financeiro bancado pelo governo, destinado a garantir segurança tanto aos poupadores quanto aos bancos e a oferecer crédito fácil com juros baixos às empresas. Por longo tempo, as instituições financeiras japonesas operaram relativamente isoladas dos fluxos de capital internacional e sob regulamentação e diretrizes de políticas elaboradas e interpretadas pelo Ministério da Fazenda. O mercado acionário não era fonte importante de financiamento e não representava investimento atraente para poupança. Enquanto o sistema funcionou, baseado em competitividade no exterior, altos ganhos com exportações, altas taxas de poupança e valores inflacionados no país, o próprio sistema financeiro foi alimentando sua expansão. Em 1990, oito dos dez maiores bancos do mundo, em volume de depósitos, eram japoneses. O modelo japonês representa uma experiência crucial que demonstra como a intervenção estatal estratégica e seletiva pode tornar uma economia de mercado mais produtiva e mais competitiva, contestando, dessa forma, afirmações ideológicas sobre a eficiência superior inerente à economia do laissez-faire . 3.1.2 Bases do desenvolvimento do Japão O Japão tem grande reserva de recursos humanos alfabetizados, educados e cada vez mais habilitados. Os japoneses são disciplinados, trabalham com afinco e estão dispostos a cooperar com o grupo. O Japão beneficiou-se de uma grande reserva de engenheiros. As universidades japonesas formam muitos mais engenheiros  per capita  do que as universidades dos Estados Unidos. A base científica do Japão não se rivalizou com a dos Estados Unidos ou Alemanha, mas se tornou significativa em vários campos. O que é excepcional em relação ao sistema educacional pós-secundário do Japão é a educação e o treinamento proporcionado nas companhias, tanto aos trabalhadores quanto aos diretores. As companhias japonesas são o principal motor de pesquisa e desenvolvimento no Japão. A pesquisa universitária é limitada e o intercâmbio entre as companhias e universidades modesto, se comparado a outros países. As companhias japonesas também tiveram habilidade excepcional para conseguir tecnologias no exterior.   79 O hábito de poupar era, em parte, cultural, e em parte, reflexo das políticas do governo. A ausência de recursos naturais no Japão traduziu-se em inovação em muitas indústrias  japonesas. O mercado interno, não os mercados externos, levou ao desenvolvimento a maioria das indústrias japonesas. Só mais tarde, as exportações se tornariam significativas. O papel das indústrias correlatas e de apoio na vantagem competitiva nacional é um dos aspectos mais notáveis da economia japonesa. As indústrias bem sucedidas cresceram a partir de outras correlatas. Quando diversificam, as empresas japonesas o fazem, quase exclusivamente em setores correlatos. As empresas japonesas maiores têm, com freqüência, redes de pequenos e médios subempreiteiros e fornecedores. Com empresas e seus fornecedores colocados perto uns dos outros, as informações circulam livremente, o serviço é excelente e as mudanças rápidas. As relações entre a mão-de-obra e a administração são respeitosas e as greves raras. Os engenheiros estão na direção de muitas das principais companhias fabris do Japão onde a orientação técnica é predominante. Embora exista um grande mercado interno, a intensa rivalidade interna e capacidade ociosa são estímulos para as vendas internacionais. Talvez o maior determinante isolado do sucesso  japonês seja a natureza da rivalidade interna. A proliferação de rivais internos, juntamente com a pressão da demanda e metas intensivamente orientadas para a parcela de mercado, cria uma situação favorável à inovação e à mudança. Depois da Segunda Guerra Mundial, o papel do governo foi relativamente pesado. Dirigiu o fluxo de capital e recursos escassos para determinados setores, limitou a entrada de capital estrangeiro, negociou licenças de tecnologia estrangeira, conteve as taxas de câmbio e proporcionou vários tipos de assistência na exportação. 3.1.3 A crise econômica atual do Japão Desde meados da década de 1980, o Japão começou a apresentar uma crise estrutural na qual a crise financeira estava no primeiro plano.O principal problema é o surpreendente volume de empréstimos incobráveis acumulado por bancos japoneses equivalente a 12% do PIB do Japão. Tal crise financeira fez com que vários bancos fossem incorporados, estatizados ou liquidados. Os bancos sobreviventes restringiram o crédito de forma drástica e, assim, esgotaram o crédito para a economia. Em 1998, a economia japonesa encolheu e as perspectivas para o fim do século eram de recessão prolongada.
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